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A Experiência do Pré-Junino: um passo de coragem, paixão e superação

Este ano, eu fiz algo que sempre desejei, mas nunca tive coragem suficiente para realizar: entrei para uma Quadrilha Junina estilizada, tive a alegria de me juntar à Junina Unidos da Roça, um grupo que leva adiante a riqueza da cultura junina com dedicação e muito amor. Fazer parte dessa tradição foi como mergulhar em um universo novo e, ao mesmo tempo, familiar. Um espaço onde pude me reencontrar comigo mesmo.



Sempre admirei a beleza e energia dessas apresentações, mas por muito tempo isso parecia um universo distante de mim. Minha família sempre teve receios, e eu, como um adolescente obediente, costumava priorizar as decisões deles em vez das minhas vontades ou da minha personalidade. Claro, houve momentos em que precisei me impor, pequenas rebeldias, mas foram exceções.


Agora, com a maturidade da vida adulta, venho me priorizando mais. Ainda estou em processo de me libertar de antigas amarras, mas entrar na quadrilha foi um grande passo nessa jornada.


E que descoberta! Me vi como uma pessoa disciplinada (palavras dos meus coreógrafos, tanto da quadrilha quanto do Corpo Coreográfico de bandas marciais, mas esse é assunto pra outro post). Em maio, participei de três apresentações marcantes, incluindo os pré-juninos da Fequajupe, em Santa Cruz do Capibaribe, e do Interior Junino, em Paranatama.


Mais do que dançar, essa experiência me trouxe um sentido profundo. Os ensaios se tornaram o ponto alto das minhas semanas. Era como se nada mais importasse: eu só queria estar ali. Se dependesse de mim, passaria horas a mais dançando, e olha que os ensaios já são longos!



Muita gente não compreende o quanto isso significa pra mim. Alguns acham fútil, que não vai me agregar em nada. Mas vem me agregando muito. Não é porque algo não vai pagar boletos que não seja importante. Dançar é o meu refúgio. Quando estou ali, meus problemas desaparecem. Saio do modo “Álvaro multitarefado” e me transformo no “Álvaro brincante e dançante”, que se conecta com a melodia e com uma outra realidade.


E isso tudo tem um desafio adicional: minha audição. Diferente dos outros brincantes, não consigo acompanhar as músicas pelo som. Faço a maioria dos passos no tato. Isso exige mais esforço, mais entrega e, ao mesmo tempo, me fortalece. É sobre superação também.


Já ouvi dizer que quadrilha é cheia de pessoas egoístas, que pensam só em si. Mas, pra mim, não importa. Eu não estou ali pelas pessoas. Estou por mim. É sobre mim. É a minha vivência. Não estou em busca de aceitação, amizade ou aprovação. A minha vida, por conta da surdez, já é introspectiva por natureza. Sempre precisei me adaptar, me esforçar para ouvir, para ser aceito. Eu sei ser sozinho. E sei que, quando danço, não estou sozinho: estou comigo mesmo, e isso basta.



E o melhor de tudo é que essa jornada está apenas começando. Ainda tenho muitas apresentações pela frente ao longo deste ano, e estou imensamente feliz por fazer parte do Espetáculo Oficial da Junina Unidos da Roça em 2025, um momento grandioso que celebra o melhor da cultura junina com arte, emoção e muita entrega no palco.

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